{"id":1261,"date":"2026-07-08T09:40:16","date_gmt":"2026-07-08T07:40:16","guid":{"rendered":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/?page_id=1261"},"modified":"2026-07-08T09:59:02","modified_gmt":"2026-07-08T07:59:02","slug":"neurologia-artigos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/neurologia-artigos\/","title":{"rendered":"Neurologia &#8211; Artigos"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1261\" class=\"elementor elementor-1261\" data-elementor-post-type=\"page\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2b1578c e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"2b1578c\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d8c67c4 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"d8c67c4\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-db4f915 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"db4f915\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-25bdd40 elementor-align-justify elementor-widget elementor-widget-button\" data-id=\"25bdd40\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"button.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a class=\"elementor-button elementor-button-link elementor-size-sm\" href=\"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/especialidades\/?area=endocrinologia\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-content-wrapper\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-icon\">\n\t\t\t\t<svg aria-hidden=\"true\" class=\"e-font-icon-svg e-fas-arrow-left\" viewBox=\"0 0 448 512\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M257.5 445.1l-22.2 22.2c-9.4 9.4-24.6 9.4-33.9 0L7 273c-9.4-9.4-9.4-24.6 0-33.9L201.4 44.7c9.4-9.4 24.6-9.4 33.9 0l22.2 22.2c9.5 9.5 9.3 25-.4 34.3L136.6 216H424c13.3 0 24 10.7 24 24v32c0 13.3-10.7 24-24 24H136.6l120.5 114.8c9.8 9.3 10 24.8.4 34.3z\"><\/path><\/svg>\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-text\">Voltar<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ecba7ff elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"ecba7ff\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Neurologia \/ Artigos<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c3967f3 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"c3967f3\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-46e6fe3 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"46e6fe3\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><p style=\"color: ##83005\">Miastenia Gravis na pr\u00e1tica cl\u00ednica<\/p>\n<p style=\"color: ##83005\">Suspeitar cedo, encaminhar r\u00e1pido e tratar melhor<\/p><\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5988e9d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5988e9d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tA Miastenia Gravis \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune da jun\u00e7\u00e3o neuromuscular caracterizada por fraqueza muscular flutuante, fatigabilidade e acometimento vari\u00e1vel de m\u00fasculos oculares, bulbares, respirat\u00f3rios e de membros. Apesar dos avan\u00e7os no diagn\u00f3stico e no tratamento, o reconhecimento precoce ainda representa um desafio importante na pr\u00e1tica cl\u00ednica, especialmente em apresenta\u00e7\u00f5es iniciais com ptose, diplopia ou sintomas leves e intermitentes, que podem ser confundidos com condi\u00e7\u00f5es oftalmol\u00f3gicas, psiqui\u00e1tricas ou outras doen\u00e7as neuromusculares<sup>1<\/sup>.\n<br><br>\n\nPara discutir os principais fatores associados ao atraso diagn\u00f3stico, os desafios na interpreta\u00e7\u00e3o de exames eletrofisiol\u00f3gicos e laboratoriais, o papel das diretrizes internacionais e a import\u00e2ncia do encaminhamento especializado, conversamos com a <strong>Dra. Caroline Bittar Braune, m\u00e9dica neurologista, coordenadora do Ambulat\u00f3rio de Doen\u00e7as Neuromusculares do Hospital Universit\u00e1rio Gaffr\u00e9e e Guinle<\/strong> (HUGG\/UNIRIO). Ao longo da entrevista, a especialista aborda estrat\u00e9gias para melhorar o reconhecimento da Miastenia Gravis por profissionais n\u00e3o neurologistas, monitorar a atividade da doen\u00e7a e otimizar o cuidado em um cen\u00e1rio de crescente disponibilidade de terapias imunomoduladoras.\n\n<br><br>\n<strong>Medscape:<\/strong> Dra. Caroline, na sua experi\u00eancia cl\u00ednica, quais s\u00e3o os principais fatores que contribuem para o atraso no diagn\u00f3stico da Miastenia Gravis, especialmente nos casos de in\u00edcio ocular ou com sintomas leves e flutuantes?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> Um dos fatores \u00e9 a dificuldade de acesso ao neurologista quando do in\u00edcio dos sintomas. Especialmente nos casos oculares, o oftalmologista costuma ser o primeiro m\u00e9dico a ser consultado, e muitas vezes esse profissional n\u00e3o conhece a Miastenia Gravis, atrasando o diagn\u00f3stico. Nos casos generalizados, mas com sintomas leves e flutuantes, a \u201csubjetividade\u201d do relato do paciente de fraqueza e fadiga muitas vezes faz com que o m\u00e9dico n\u00e3o suspeite de Miastenia Gravis. Especialmente se o paciente n\u00e3o se apresenta com fraqueza muscular no momento da consulta m\u00e9dica, a suspei\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica pode ficar muito prejudicada. Nesse sentido, destaco a import\u00e2ncia da realiza\u00e7\u00e3o de <strong>provas de fatigabilidade muscular<\/strong> (ocular, de fala, de membros) na avalia\u00e7\u00e3o de um paciente com queixa de fraqueza e\/ou fadiga intermitentes\/flutuantes ao longo do dia.\n\n<br><br>\nOutro ponto que contribui para o atraso no diagn\u00f3stico \u00e9 a dificuldade de acesso aos exames complementares diagn\u00f3sticos para a Miastenia Gravis. Sabemos que a eletroneuromiografia com estimula\u00e7\u00e3o repetitiva \u00e9 um exame que depende totalmente da expertise do profissional executante, al\u00e9m de poder n\u00e3o estar dispon\u00edvel fora dos grandes centros do pa\u00eds. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dosagem dos anticorpos para Miastenia Gravis (anti-receptor de acetilcolina \u2013 AChR &#8211; e anti-MuSK), muitos profissionais t\u00eam dificuldade de interpretar e valorizar a positividade desses anticorpos, especialmente quando em t\u00edtulos baixos.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> Como a variabilidade dos sintomas e a semelhan\u00e7a com outras doen\u00e7as neuromusculares, como a ELA, impactam a precis\u00e3o diagn\u00f3stica nas fases iniciais?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> \u00c9 fundamental que haja uma <strong>investiga\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica bem estruturada<\/strong> nos casos suspeitos de Miastenia Gravis para que o diagn\u00f3stico diferencial com outras condi\u00e7\u00f5es seja bem estabelecido. A minha impress\u00e3o \u00e9 de que os pacientes com as formas oculares puras s\u00e3o os que mais demoram a ter o diagn\u00f3stico, seja pela frequente soronegatividade na dosagem do anti-AChR, seja pela tamb\u00e9m frequente negatividade na eletroneuromiografia com estimula\u00e7\u00e3o repetitiva.\nNesse sentido, os principais diagn\u00f3sticos diferenciais costumam ser as miopatias mitocondriais e a disfagia oculofar\u00edngea, ambas condi\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias que podem se iniciar com ptose palpebral e oftalmoparesia. A dosagem de enzimas musculares (CPK, LDH, aldolase, por exemplo), al\u00e9m da realiza\u00e7\u00e3o de eletromiografia com estudo de m\u00fasculos proximais nessas condi\u00e7\u00f5es pode ajudar na identifica\u00e7\u00e3o de achados miop\u00e1ticos, auxiliando no diagn\u00f3stico diferencial com a Miastenia Gravis.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> Em que medida o encaminhamento tardio ao neurologista, ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o inicial por oftalmologistas ou psic\u00f3logos, compromete o manejo precoce da doen\u00e7a?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> O manejo precoce da doen\u00e7a \u00e9 fundamental sempre3. Os pacientes com doen\u00e7a de muito longa data podem ter d\u00e9ficits motores fixos e n\u00e3o responsivos ao tratamento, principalmente na musculatura ocular, como ptose e\/ou oftalmoparesia. Al\u00e9m disso, a timectomia \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica que pode ser oferecida dentro de uma janela de tempo, para pacientes com a forma generalizada da doen\u00e7a, anti-AChR positivos e com at\u00e9 5 anos de in\u00edcio dos sintomas.\n<br><br>\n\nOutro aspecto importante \u00e9 que muitos m\u00e9dicos n\u00e3o especialistas acabam conduzindo o tratamento de pacientes com Miastenia Gravis de forma sub\u00f3tima. Neste sentido \u00e9 comum o uso prolongado e de doses altas de corticoides, que sabemos ter uma gama de efeitos adversos potencialmente graves, al\u00e9m do tratamento muitas vezes em monoterapia com piridostigmina, que \u00e9 pouco eficaz para a maioria dos casos.\n<br><br>\n\nAssim, quando estes pacientes com Miastenia Gravis de longa data conseguem chegar a um especialista costumam j\u00e1 ter consequ\u00eancias muitas vezes irrevers\u00edveis da doen\u00e7a, como a fraqueza muscular fixa\/permanente. Al\u00e9m disso, comumente sofrem de efeitos colaterais graves de terapias anteriores e j\u00e1 exibem impacto importante sobre a qualidade de vida.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> Quais s\u00e3o os erros mais comuns na interpreta\u00e7\u00e3o dos exames eletrofisiol\u00f3gicos (como o teste de estimula\u00e7\u00e3o repetitiva e o estudo de jitter) nos est\u00e1gios iniciais da Miastenia Gravis?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estimula\u00e7\u00e3o repetitiva, o principal erro \u00e9 a supervaloriza\u00e7\u00e3o de um resultado negativo, especialmente em pacientes com Miastenia Gravis ocular pura e nos casos generalizados leves. Nas formas oculares puras, por exemplo, a sensibilidade desse exame pode ser de 35% quando estudado um m\u00fasculo distal, e nos casos generalizados leves, a sensibilidade pode ser de 55%, resultando em alta taxa de resultados falso-negativos.\n<br><br>\n\nNo caso da eletromiografia de fibra \u00fanica, com an\u00e1lise do jitter, o dado mais importante \u00e9 que a sua sensibilidade \u00e9 muito alta; ou seja, a chance de esse exame ser positivo num paciente com Miastenia Gravis \u00e9 alta, mas sua especificidade \u00e9 baixa, de modo que este exame \u00e9 alterado em v\u00e1rias outras condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o Miastenia Gravis, como miopatias e doen\u00e7as do neur\u00f4nio motor. Ent\u00e3o, muitas vezes o erro diagn\u00f3stico \u00e9 o de se estabelecer o diagn\u00f3stico de Miastenia Gravis se o paciente tem um exame de fibra \u00fanica alterado.\n<br><br>\n\nPor isso, \u00e9 importante que os testes neurofisiol\u00f3gicos sejam realizados num cen\u00e1rio de alta suspei\u00e7\u00e3o cl\u00ednica para o diagn\u00f3stico de Miastenia Gravis, para que seus resultados ajudem na defini\u00e7\u00e3o ou exclus\u00e3o diagn\u00f3stica de modo adequado.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> Existem par\u00e2metros ou marcadores laboratoriais que, quando isolados, podem levar a interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas e atrasar o diagn\u00f3stico definitivo?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> Como referido anteriormente, especialmente nas formas oculares puras da Miastenia Gravis, a dosagem do anticorpo anti-receptor de acetilcolina pode ser negativa &#8211; achado descrito em at\u00e9 40-50% dos casos<sup>4<\/sup>. Al\u00e9m disso, mesmo nas formas generalizadas, cerca de 10% dos pacientes com este tipo de Miastenia Gravis ser\u00e3o soronegativos quando a dosagem do anticorpo anti-AChR \u00e9 realizada pelas metodologias mais dispon\u00edveis, em geral, radioimunoensaio e ELISA. Por fim, cerca de 5% dos pacientes ser\u00e3o casos soronegativos para Miastenia Gravis, ou seja, soronegativos para anti-AChR e anti-MuSK.\n<br><br>\n\nNesses cen\u00e1rios, a estrutura\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica diante de um caso suspeito deve seguir para a realiza\u00e7\u00e3o de um exame neurofisiol\u00f3gico que confirme o diagn\u00f3stico, n\u00e3o se excluindo a possibilidade de Miastenia Gravis por dosagem negativa de anticorpos. Outro exame laboratorial que pode atrapalhar e atrasar o diagn\u00f3stico \u00e9 a dosagem s\u00e9rica de CPK (creatinofosfoquinase), que pode estar elevada em alguns pacientes com Miastenia Gravis, especialmente nos pacientes com positividade para anti-MuSK. Assim, este dado laboratorial n\u00e3o deve ser interpretado de modo isolado para a exclus\u00e3o do diagn\u00f3stico de Miastenia Gravis em casos suspeitos.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> Quando um exame eletrofisiol\u00f3gico resulta negativo, quais boas pr\u00e1ticas recomenda para reavalia\u00e7\u00e3o, como o momento ideal para repetir o teste ou utilizar m\u00e9todos complementares?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> Um primeiro ponto importante no teste neurofisiol\u00f3gico \u00e9 assegurar que ele tenha sido feito por um profissional com experi\u00eancia na avalia\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as da jun\u00e7\u00e3o neuromuscular, pois o teste de estimula\u00e7\u00e3o repetitiva pode ser complexo de ser realizado em m\u00e3os pouco experientes.\n<br><br>\n\nDito isso, o ideal \u00e9 que os m\u00fasculos estudados pelo neurofisiologista durante o exame sejam os m\u00fasculos com fraqueza identificada no exame f\u00edsico. Essa pr\u00e1tica aumenta a sensibilidade do exame na identifica\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o decremental t\u00edpico da Miastenia Gravis. Ademais, \u00e9 importante lembrar que a sensibilidade da estimula\u00e7\u00e3o repetitiva \u00e9 mais baixa nos pacientes com as formas oculares puras da Miastenia Gravis, mesmo quando s\u00e3o estudados m\u00fasculos mais proximais.\n<br><br>\n\nSendo assim, se a avalia\u00e7\u00e3o neurofisiol\u00f3gica inicial foi negativa num paciente com a forma ocular pura, \u00e9 recomendado que a investiga\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica seja complementada com a dosagem de anticorpos e\/ou a eletromiografia de fibra \u00fanica.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> De que forma o guideline <em>\u201cGuideline for the management of myasthenic\nsyndromes\u201d<\/em> (Wiendl et al., 2023)<sup>2<\/sup> contribui para reduzir os erros de diagn\u00f3stico e padronizar crit\u00e9rios cl\u00ednicos e laboratoriais?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> O consenso alem\u00e3o define o diagn\u00f3stico de Miastenia Gravis de forma bem semelhante \u00e0 literatura internacional<sup>2<\/sup>. Ele recomenda que o diagn\u00f3stico seja estabelecido por achados da anamnese e do exame f\u00edsico que apontem para a presen\u00e7a de fraqueza muscular flutuante e fatig\u00e1vel, e a confirma\u00e7\u00e3o adv\u00e9m da positividade de um dos anticorpos dosados no sangue &#8211; receptor de acetilcolina, MuSK ou LRP4 &#8211; e\/ou da positividade dos testes neurofisiol\u00f3gicos e\/ou da resposta ao teste farmacol\u00f3gico.\n<br><br>\n\nA estrutura\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica da Miastenia Gravis com base em crit\u00e9rios bem estabelecidos, como os recomendados pelo guideline alem\u00e3o, aumenta a sensibilidade para o diagn\u00f3stico, al\u00e9m de evitar exames desnecess\u00e1rios e guiar os pr\u00f3ximos passos no caso de testes inicialmente negativos.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> H\u00e1 diferen\u00e7as significativas entre as diretrizes internacionais e as pr\u00e1ticas cl\u00ednicas observadas no Brasil quanto ao diagn\u00f3stico inicial da Miastenia Gravis?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> No Brasil seguimos as recomenda\u00e7\u00f5es internacionais para o diagn\u00f3stico da Miastenia Gravis. Nesse sentido, em um paciente com quadro cl\u00ednico suspeito para esta condi\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a de dosagem positiva para o anticorpo anti-receptor de acetilcolina ou anti-MuSK, ou a positividade da eletroneuromiografia com estimula\u00e7\u00e3o repetitiva \u00e9 suficiente para se estabelecer o diagn\u00f3stico.\n\n<br><br>\nO que acho poder ser uma limita\u00e7\u00e3o para a pr\u00e1tica diagn\u00f3stica no Brasil \u00e9 o acesso limitado aos testes neurofisiol\u00f3gicos, especialmente no \u00e2mbito do SUS e, principalmente, considerando-se a eletromiografia de fibra \u00fanica, que ainda \u00e9 um exame mais restrito aos grandes centros com expertise em Miastenia Gravis.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> Como definir, de forma objetiva, se a doen\u00e7a est\u00e1 clinicamente est\u00e1vel ou \u201caltamente ativa\u201d, segundo o consenso alem\u00e3o<sup>2<\/sup>?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> Com o advento das chamadas \u201cterapias de nova gera\u00e7\u00e3o\u201d para a Miastenia Gravis, a avalia\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 atividade de doen\u00e7a e quanto \u00e0 progress\u00e3o \u00e9 fundamental. A doen\u00e7a considerada est\u00e1vel\/controlada \u00e9 aquela em que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de atividade de doen\u00e7a nem sintomas residuais, configurando remiss\u00e3o completa, ou aquela em que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de atividade de doen\u00e7a, embora possa haver ainda m\u00ednimos sintomas residuais e de forma est\u00e1vel, configurando remiss\u00e3o incompleta.\n<br><br>\n\nPor sua vez, o conceito de doen\u00e7a \u201caltamente ativa\u201d, que inclui a Miastenia Gravis refrat\u00e1ria, contempla 3 cen\u00e1rios poss\u00edveis:\n<br><br>\n\n1) <em>Status<\/em> MGFA moderado a alto \u2a7e IIb e\/ou pelo menos 2 exacerba\u00e7\u00f5es\/crises miast\u00eanicas graves com necessidade de terapia de resgate &#8211; imunoglobulina venosa ou plasmaf\u00e9rese &#8211; no ano ap\u00f3s o diagn\u00f3stico e em uso adequado de terapia imunossupressora e sintom\u00e1tica; ou\n<br><br>\n\n2) Sintomas persistentes para as atividades di\u00e1rias (MGFA \u2a7e IIa) e exacerba\u00e7\u00e3o\/crise miast\u00eanica grave no \u00faltimo ano em uso adequado de terapia imunossupressora e sintom\u00e1tica; ou\n<br><br>\n\n3) Sintomas persistentes para as atividades di\u00e1rias (MGFA \u2a7e IIa) por mais de 2 anos em uso adequado de terapia imunossupressora e sintom\u00e1tica.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> Quais ferramentas cl\u00ednicas ou funcionais s\u00e3o mais adequadas para monitorar a evolu\u00e7\u00e3o e a resposta terap\u00eautica de pacientes com Miastenia Gravis?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> O tratamento da Miastenia Gravis tem como objetivo principal o m\u00e1ximo controle da doen\u00e7a atrelado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do paciente. Nesse sentido, a aplica\u00e7\u00e3o das escalas desenvolvidas para os pacientes com Miastenia Gravis \u00e9 fundamental no <em>follow-up<\/em> adequado.\n<br><br>\n\nAs quatro escalas preconizadas s\u00e3o: <em>Myasthenia Gravis Foundation of America<\/em> (MGFA) e a <em>Quantitative Myasthenia Gravis<\/em> (QMG)<sup>5<\/sup>, como escalas baseadas na opini\u00e3o do m\u00e9dico e nos achados de exame f\u00edsico dos pacientes; e <em>Myasthenia Gravis Activities of Daily Living<\/em> (MG-ADL) e MG<em>-Quality of Life 15<\/em> (MG-QoL15), como escalas baseadas na percep\u00e7\u00e3o do paciente sobre a doen\u00e7a.\n\n<br><br>\nDessa forma, a combina\u00e7\u00e3o de escalas centradas na percep\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do m\u00e9dico com escalas centradas no paciente tem sido o standard of care dos pacientes com Miastenia Gravis.\n\n<br><br>\n<strong>Medscape:<\/strong> Que recomenda\u00e7\u00f5es faria aos profissionais n\u00e3o neurologistas para aprimorar o reconhecimento precoce de sinais compat\u00edveis com Miastenia Gravis e agilizar o encaminhamento especializado?\n\n<br><br>\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> O mais importante \u00e9 a suspeita diagn\u00f3stica de Miastenia Gravis em um paciente que tenha fraqueza muscular que piore com o uso da musculatura, ou seja, fatig\u00e1vel. \u00c9 comum o envolvimento precoce da musculatura ocular, e a presen\u00e7a de ptose palpebral unilateral ou alternante entre os lados, que comumente faz o paciente buscar o oftalmologista, deve levantar a suspeita de Miastenia Gravis e motivar o encaminhamento ao especialista.\n<br><br>\n\nOutra pista \u00e9 a presen\u00e7a de flutua\u00e7\u00f5es da fraqueza ao longo do dia, com momentos em que o paciente \u00e9 capaz de realizar dada atividade, alternado com outros momentos em que h\u00e1 limita\u00e7\u00e3o para isso. Muitas vezes isso \u00e9 interpretado como um quadro \u201cpsicog\u00eanico\u201d, minimizando-se as queixas do paciente e atrasando adicionalmente o in\u00edcio do fluxo diagn\u00f3stico.\n<br><br>\n\n<strong>Medscape:<\/strong> Considerando o avan\u00e7o das terapias imunomoduladoras, como o diagn\u00f3stico precoce pode influenciar o progn\u00f3stico e a qualidade de vida dos pacientes?\n<br><br>\n\n<strong>Dra. Caroline Bittar Braune:<\/strong> O reconhecimento precoce e o tratamento da Miastenia Gravis proporcionam melhora funcional para o paciente, que consegue retomar suas atividades de vida di\u00e1ria antes prejudicadas pela presen\u00e7a de fraqueza muscular, al\u00e9m de impactar positivamente na qualidade de vida.\n<br><br>\n\nCom a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a sem tratamento adequado, sabemos que muitos pacientes evoluem com fraqueza muscular fixa, sem melhora mesmo com a otimiza\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. Dessa forma, o in\u00edcio de tratamento adequado numa \u201cjanela terap\u00eautica\u201d ideal resulta em melhor resposta \u00e0s terapias.\n<br><br>\n\nO surgimento das terapias de nova gera\u00e7\u00e3o representou uma oportunidade real de tratamento efetivo dos pacientes com Miastenia Gravis refrat\u00e1ria, daqueles que exibem resposta sub\u00f3tima com as terapias imunossupressoras convencionais e\/ou que exibem efeitos adversos das mesmas.\n<br><br>\n\nAo longo da entrevista, a Dra. Caroline Bittar Braune refor\u00e7a que o reconhecimento precoce da Miastenia Gravis depende, sobretudo, de uma escuta atenta aos sintomas flutuantes e fatig\u00e1veis, da valoriza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es oculares como ptose e diplopia, da interpreta\u00e7\u00e3o criteriosa de exames laboratoriais e neurofisiol\u00f3gicos e do encaminhamento oportuno ao neurologista. A especialista destaca que a estrutura\u00e7\u00e3o adequada da investiga\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica, o uso de escalas cl\u00ednicas e funcionais, a defini\u00e7\u00e3o objetiva da atividade da doen\u00e7a e o acesso a estrat\u00e9gias terap\u00eauticas apropriadas s\u00e3o fundamentais para reduzir atrasos, evitar sequelas funcionais, otimizar o controle da doen\u00e7a e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.<\/sup>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-34f9269 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"34f9269\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-04d6e9e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"04d6e9e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<ol>\n \t<li>Mishra AK, Varma A. Myasthenia Gravis: A Systematic Review. Cureus. 2023 Dec 6. doi:10.7759\/cureus.50017<\/li>\n<li>Wiendl H, et al. Guideline for the management of myasthenic syndromes. Therapeutic Advances in Neurological Disorders. 2023; 16:1-73. doi:10.1177\/17562864231210233.<\/li>\n<li>Narayanaswami P, Sanders DB, Wolfe G, et al. International Consensus Guidance for Management of Myasthenia Gravis: 2020 Update. Neurology. 2021. Jan 19;96(3):114\u2013122. doi: 10.1212\/WNL.0000000000011124<\/li>\n<li>Gilhus NE, Tzartos S, Evoli A, et al. Myasthenia gravis. Nature Reviews Disease Primers. 2019. May 2;5(1):30. doi: 10.1038\/s41572-019-0079-y<\/li>\n<li>Jaretzki A III, Barohn RJ, Ernstoff RM, et al. Myasthenia Gravis: Recommendations for Clinical Research Standards. Neurology. 2000. Jul 12;55(1):16-23. doi: 10.1212\/wnl.55.1.16.<\/li>\n<\/ol>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar Neurologia \/ Artigos Miastenia Gravis na pr\u00e1tica cl\u00ednica Suspeitar cedo, encaminhar r\u00e1pido e tratar melhor A Miastenia Gravis \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune da jun\u00e7\u00e3o neuromuscular caracterizada por fraqueza muscular flutuante, fatigabilidade e acometimento vari\u00e1vel de m\u00fasculos oculares, bulbares, respirat\u00f3rios e de membros. Apesar dos avan\u00e7os no diagn\u00f3stico e no tratamento, o reconhecimento precoce ainda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1261","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1261","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1261"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1261\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1271,"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1261\/revisions\/1271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}