{"id":1225,"date":"2026-07-03T09:54:17","date_gmt":"2026-07-03T07:54:17","guid":{"rendered":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/?page_id=1225"},"modified":"2026-08-10T10:25:55","modified_gmt":"2026-08-10T08:25:55","slug":"cardiologia-desafios-atuais-e-perspectivas-para-o-cuidado-cardiovascular","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/cardiologia-desafios-atuais-e-perspectivas-para-o-cuidado-cardiovascular\/","title":{"rendered":"Cardiologia &#8211; Desafios atuais e perspectivas para o cuidado cardiovascular"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1225\" class=\"elementor elementor-1225\" data-elementor-post-type=\"page\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2b1578c e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"2b1578c\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element 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class=\"elementor-button-content-wrapper\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-text\">Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ecba7ff elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"ecba7ff\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Cardiologia \/ Artigos<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c3967f3 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"c3967f3\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-46e6fe3 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"46e6fe3\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><p style=\"color: ##83005\">Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio<\/p>\n<p style=\"color: ##83005\">Desafios atuais e perspectivas para o cuidado cardiovascular<\/p><\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5988e9d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5988e9d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tO Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio (IAM) permanece entre as principais causas de morbimortalidade cardiovascular no mundo e resulta da necrose do m\u00fasculo card\u00edaco decorrente de um processo isqu\u00eamico agudo1. Apesar dos avan\u00e7os no diagn\u00f3stico, na reperfus\u00e3o e na preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, o reconhecimento precoce da doen\u00e7a, a r\u00e1pida implementa\u00e7\u00e3o das terapias recomendadas e a individualiza\u00e7\u00e3o do tratamento continuam sendo desafios importantes na pr\u00e1tica cl\u00ednica.\n<br><br>\nPara discutir as principais atualiza\u00e7\u00f5es das diretrizes de s\u00edndrome coronariana aguda publicadas em 2025, o papel dos biomarcadores e da estratifica\u00e7\u00e3o de risco, o manejo de popula\u00e7\u00f5es especiais e as perspectivas futuras para o tratamento do IAM, conversamos com a <strong>Dra. Bruna Scarpa, m\u00e9dica cardiologista do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (InCor-HCFMUSP). <\/strong>Ao longo da entrevista, a especialista comenta as mudan\u00e7as com maior impacto na assist\u00eancia cardiovascular e os avan\u00e7os que devem transformar o cuidado dos pacientes nos pr\u00f3ximos anos.\n<br><br>\n<strong>Medscape:<\/strong> Dra. Bruna, nas \u00faltimas diretrizes de s\u00edndrome coronariana aguda publicadas em 2025, quais foram as principais mudan\u00e7as que o cardiologista cl\u00ednico precisa incorporar imediatamente na pr\u00e1tica assistencial?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa: <\/strong>As mudan\u00e7as mais relevantes das \u00faltimas diretrizes de s\u00edndrome coronariana aguda incluem:\n<br><br>\nA prefer\u00eancia pelo uso de ticagrelor ou prasugrel como primeira linha, em compara\u00e7\u00e3o ao clopidogrel, em pacientes submetidos \u00e0 interven\u00e7\u00e3o coronariana percut\u00e2nea (ICP), devido \u00e0 superioridade na redu\u00e7\u00e3o de desfechos cardiovasculares. O clopidogrel fica reservado para pacientes com muito alto risco de sangramento (como idosos), intolerantes ou sem acesso aos agentes mais potentes.\n<br><br>\nAs recomenda\u00e7\u00f5es sobre o per\u00edodo de dupla antiagrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria (DAPT) tamb\u00e9m foram atualizadas. Permanece como padr\u00e3o o uso de DAPT por um ano em pacientes sem alto risco de sangramento. Por\u00e9m, visando \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de sangramentos, para os pacientes que toleraram dupla antiagrega\u00e7\u00e3o com ticagrelor, ap\u00f3s o primeiro m\u00eas p\u00f3s-ICP, a transi\u00e7\u00e3o para monoterapia pode ser feita com ticagrelor (Classe I) ou outros antiagregantes (Classe IIb).\n<br><br>\nAl\u00e9m disso, houve mudan\u00e7a nas metas lip\u00eddicas, com recomenda\u00e7\u00e3o de estatina de alta intensidade para todos os pacientes (com op\u00e7\u00e3o de ezetimibe concomitante) e adi\u00e7\u00e3o de outras terapias antilipemiantes quando o LDL permanece \u2265 70 mg\/dL sob estatina na m\u00e1xima dose tolerada (Classe I). Tamb\u00e9m pode ser considerada a introdu\u00e7\u00e3o dessas terapias quando o LDL for \u2265 55 mg\/dL (Classe IIa), visando \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de eventos cardiovasculares por meio de uma redu\u00e7\u00e3o precoce do LDL, aproveitando a motiva\u00e7\u00e3o do paciente nesse per\u00edodo.\n<br><br>\nOutro ponto relevante \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o do uso de imagem intracoron\u00e1ria (IVUS ou OCT) para guiar a ICP, que passa a ser Classe I. Na mesma linha, o acesso radial \u00e9 preferido por reduzir sangramento, complica\u00e7\u00f5es vasculares e mortalidade.\n<br><br>\nTamb\u00e9m passa a ser recomendada a revasculariza\u00e7\u00e3o completa tanto no infarto com supradesnivelamento quanto sem supradesnivelamento do segmento ST em pacientes com doen\u00e7a multiarterial, incluindo a op\u00e7\u00e3o de tratar les\u00f5es n\u00e3o culpadas em pacientes com supraST est\u00e1vel de forma estagiada durante a interna\u00e7\u00e3o. Para choque cardiog\u00eanico, pode-se considerar suporte com bomba de fluxo microaxial em pacientes selecionados (Classe IIa).\n<br><br>\nPor fim, houve tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a conceitual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura da diretriz: a publica\u00e7\u00e3o de 2025 aborda de forma conjunta o manejo do infarto tipo 1 com e sem supradesnivelamento do segmento ST, considerando que a avalia\u00e7\u00e3o inicial e a terapia medicamentosa s\u00e3o, em grande parte, as mesmas, diferenciando-se principalmente quanto \u00e0 estrat\u00e9gia invasiva. Nesta diretriz, ainda n\u00e3o houve ado\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o de oclus\u00e3o coronariana aguda (OCA) versus n\u00e3o oclus\u00e3o coronariana aguda (NOCA), conceito que vem sendo amplamente debatido diante das limita\u00e7\u00f5es do supraST em identificar infartos com coron\u00e1ria oclu\u00edda (&gt; 50% dos infartos com art\u00e9ria oclu\u00edda n\u00e3o preenchem os crit\u00e9rios cl\u00e1ssicos de supraST). Esse conceito poder\u00e1 ser incorporado em diretrizes futuras.\n<br><br>\n<strong>Medscape: <\/strong>O diagn\u00f3stico precoce continua sendo um dos maiores desafios no IAM. Hoje, quais estrat\u00e9gias realmente fazem diferen\u00e7a para reduzir o tempo entre o in\u00edcio dos sintomas e a reperfus\u00e3o?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa:<\/strong> O tempo total de isquemia tem dois componentes principais relacionados: 1) ao paciente (do in\u00edcio dos sintomas ao primeiro contato com o sistema de sa\u00fade); e 2) ao sistema de cuidado (do primeiro contato at\u00e9 a reperfus\u00e3o). As estrat\u00e9gias mais eficazes, baseadas em evid\u00eancias, podem atuar em ambos:\n<br><br>\n<ul>\n<li>Campanhas de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre sintomas at\u00edpicos, especialmente em mulheres e pacientes com diabetes (nos quais a dor tor\u00e1cica cl\u00e1ssica est\u00e1 ausente em at\u00e9 40% dos casos).<\/li>\n<li>Protocolos de ativa\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o hospitalar pelo pr\u00f3prio SAMU, com realiza\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o do eletrocardiograma e telemetria ainda no ambiente pr\u00e9-hospitalar. Essa \u00e9 uma das estrat\u00e9gias de maior impacto para reduzir o tempo de isquemia e at\u00e9 mesmo a mortalidade, possibilitando diagn\u00f3stico precoce, organiza\u00e7\u00e3o das redes de atendimento e defini\u00e7\u00e3o clara dos fluxos de transfer\u00eancia, com acionamento imediato da equipe de hemodin\u00e2mica.<\/li>\n<li>Protocolos de dor tor\u00e1cica e de infarto com supraST bem estabelecidos, que possam ser acionados por qualquer membro da equipe, tamb\u00e9m s\u00e3o importantes, assim como reuni\u00f5es peri\u00f3dicas de toda a equipe para revis\u00e3o dos casos e discuss\u00e3o de oportunidades de melhoria.<\/li>\n<li>Em regi\u00f5es sem disponibilidade imediata de angioplastia prim\u00e1ria, a estrat\u00e9gia farmacoinvasiva, com fibrinol\u00edtico seguido de transfer\u00eancia para um centro com hemodin\u00e2mica, \u00e9 importante para reduzir o tempo total de isquemia.<\/li>\n<\/ul>\n<br>\n<strong>Medscape:<\/strong> Como voc\u00ea avalia o papel atual da troponina ultrassens\u00edvel nos protocolos de emerg\u00eancia? J\u00e1 conseguimos reduzir exames desnecess\u00e1rios sem aumentar o risco de subdiagn\u00f3stico?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa: <\/strong>A troponina ultrassens\u00edvel transformou a triagem da dor tor\u00e1cica, conseguindo reduzir de forma segura o tempo de perman\u00eancia intra-hospitalar e os custos.\nOs algoritmos r\u00e1pidos de zero e uma hora e de zero e duas horas, validados pela diretriz europeia, baseiam-se no elevado valor preditivo negativo do exame (acima de 99,5%) para descartar infarto de forma segura e precoce, reduzindo interna\u00e7\u00f5es e exames desnecess\u00e1rios sem aumentar o subdiagn\u00f3stico nos casos em que o protocolo \u00e9 aplicado adequadamente.\n<br><br>\nPor\u00e9m, a avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica ainda \u00e9 importante para a determina\u00e7\u00e3o da probabilidade pr\u00e9-teste e para a interpreta\u00e7\u00e3o da cin\u00e9tica do marcador, considerando a varia\u00e7\u00e3o entre as dosagens (delta) e o contexto cl\u00ednico.\n<br><br>\n\u00c9 preciso atentar para o tempo transcorrido desde o in\u00edcio dos sintomas, e n\u00e3o apenas para o momento da chegada ao servi\u00e7o de sa\u00fade: em protocolos que utilizam valor \u00fanico de hs-cTn, a troponina deve ser obtida pelo menos tr\u00eas horas ap\u00f3s o in\u00edcio dos sintomas, sob risco de resultado falso-negativo em pacientes com apresenta\u00e7\u00e3o ultraprecoce.\n<br><br>\nAl\u00e9m disso, a avalia\u00e7\u00e3o cuidadosa da varia\u00e7\u00e3o da troponina permite identificar isquemia aguda, evitando classificar como s\u00edndrome coronariana aguda eleva\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas desse biomarcador.\n<br><br>\n<strong>Medscape:<\/strong> A estratifica\u00e7\u00e3o de risco no IAM evoluiu bastante nos \u00faltimos anos. Quais ferramentas ou crit\u00e9rios voc\u00ea considera mais \u00fateis atualmente para a tomada de decis\u00e3o cl\u00ednica e a defini\u00e7\u00e3o progn\u00f3stica?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa: <\/strong>Para o eixo isqu\u00eamico, o escore GRACE permanece como a ferramenta mais \u00fatil na fase intra-hospitalar, tanto para estimar mortalidade quanto para orientar o momento da estrat\u00e9gia invasiva, complementado pelo escore TIMI e por par\u00e2metros cl\u00ednicos como a classe de Killip, os valores de troponina, o eletrocardiograma, a fun\u00e7\u00e3o ventricular e a fun\u00e7\u00e3o renal. No paciente com infarto sem supradesnivelamento do segmento ST de risco intermedi\u00e1rio ou alto, a conduta \u00e9 a estrat\u00e9gia invasiva visando \u00e0 revasculariza\u00e7\u00e3o durante a interna\u00e7\u00e3o. Pacientes de baixo risco t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de estratifica\u00e7\u00e3o invasiva ou n\u00e3o invasiva.\n<br><br>\nA estratifica\u00e7\u00e3o progn\u00f3stica atualmente tamb\u00e9m incorpora a avalia\u00e7\u00e3o na sala de hemodin\u00e2mica, n\u00e3o apenas quanto \u00e0 anatomia coronariana, mas tamb\u00e9m por meio do uso de imagem intravascular, que permite avaliar tanto o mecanismo do evento quanto o resultado do procedimento de angioplastia, utilizando par\u00e2metros objetivos que impactam o progn\u00f3stico do paciente, como a taxa de expans\u00e3o adequada do stent, a cobertura apropriada da les\u00e3o e a aus\u00eancia de dissec\u00e7\u00e3o de bordas.\n<br><br>\nO risco hemorr\u00e1gico tamb\u00e9m precisa ser cuidadosamente avaliado, e instrumentos como os crit\u00e9rios ARC-HBR e o escore PRECISE-DAPT s\u00e3o \u00fateis, pois a decis\u00e3o sobre a pot\u00eancia e a dura\u00e7\u00e3o da terapia antitromb\u00f3tica depende do equil\u00edbrio entre o risco isqu\u00eamico e o risco de sangramento.\n<br><br>\n<strong>Medscape: <\/strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es especiais, existem diferen\u00e7as importantes na apresenta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do IAM em mulheres. Quais sinais ainda passam despercebidos na pr\u00e1tica cotidiana?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa: <\/strong>As mulheres apresentam, com mais frequ\u00eancia, sintomas at\u00edpicos, como dispneia, fadiga intensa, n\u00e1useas, desconforto epig\u00e1strico e dor irradiada para mand\u00edbula, pesco\u00e7o ou dorso. Esses quadros s\u00e3o subvalorizados e, muitas vezes, confundidos com ansiedade, gastrite ou estresse, o que contribui para uma apresenta\u00e7\u00e3o mais tardia, menor probabilidade de realiza\u00e7\u00e3o de angiografia em tempo adequado e menor utiliza\u00e7\u00e3o das terapias recomendadas.\n<br><br>\nMesmo a dor tor\u00e1cica \u201ct\u00edpica\u201d nas mulheres \u00e9 frequentemente descrita como uma press\u00e3o difusa, n\u00e3o localizada e de menor intensidade, podendo, por isso, ser menos valorizada.\n<br><br>\nAl\u00e9m disso, as mulheres apresentam maior preval\u00eancia de infarto com art\u00e9rias coron\u00e1rias n\u00e3o obstrutivas (MINOCA), de dissec\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de art\u00e9ria coron\u00e1ria, sobretudo em mulheres jovens e no per\u00edodo periparto (respons\u00e1vel por at\u00e9 35% dos infartos em mulheres com menos de 50 anos), e de disfun\u00e7\u00e3o microvascular.\n<br><br>\n\u00c9 importante manter um alto \u00edndice de suspei\u00e7\u00e3o na avalia\u00e7\u00e3o de mulheres e garantir acesso equitativo \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o invasiva e ao tratamento, evitando que a apresenta\u00e7\u00e3o at\u00edpica se traduza em subtratamento.\n<br><br>\n<strong>Medscape:<\/strong> Pacientes idosos frequentemente apresentam m\u00faltiplas comorbidades e maior risco hemorr\u00e1gico. Como equilibrar benef\u00edcio isqu\u00eamico e seguran\u00e7a terap\u00eautica nessa popula\u00e7\u00e3o?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa: <\/strong>O idoso se beneficia da reperfus\u00e3o e n\u00e3o deve ter sua conduta limitada apenas pela idade cronol\u00f3gica. Por\u00e9m, alguns cuidados adicionais s\u00e3o necess\u00e1rios para reduzir o risco hemorr\u00e1gico.\n<br><br>\nA diretriz de 2025 recomenda, com maior for\u00e7a de evid\u00eancia, a modula\u00e7\u00e3o da DAPT. Especialmente em pacientes com alto risco de sangramento, deve ser considerada a dupla antiagrega\u00e7\u00e3o por um m\u00eas, seguida de monoterapia, que pode ser feita com ticagrelor. Entretanto, em pacientes mais fr\u00e1geis e com risco de sangramento elevado, a op\u00e7\u00e3o por clopidogrel \u00e9 mais segura. O prasugrel deve ser evitado acima dos 75 anos.\n<br><br>\nO ajuste correto das doses dos antitromb\u00f3ticos \u00e0 fun\u00e7\u00e3o renal e ao peso \u00e9 fundamental, j\u00e1 que a superdosagem inadvertida \u00e9 uma causa importante e evit\u00e1vel de sangramento no idoso. O uso de inibidor de bomba de pr\u00f3tons em pacientes com risco gastrointestinal tamb\u00e9m \u00e9 recomendado, e o acesso radial \u00e9 prefer\u00edvel, sempre que poss\u00edvel.\n<br><br>\nTamb\u00e9m se recomenda a avalia\u00e7\u00e3o da fragilidade, e escores como o Clinical Frailty Scale podem ser integrados \u00e0 estratifica\u00e7\u00e3o de risco.\n<br><br>\nConsiderando a sub-representa\u00e7\u00e3o de idosos nos grandes ensaios cl\u00ednicos, a extrapola\u00e7\u00e3o direta das diretrizes precisa ser feita com cautela, e os escores cl\u00ednicos auxiliam na individualiza\u00e7\u00e3o dos casos, visando oferecer o melhor equil\u00edbrio entre benef\u00edcio isqu\u00eamico e risco hemorr\u00e1gico.\n<br><br>\n<strong>Medscape:<\/strong> O IAM em pacientes jovens vem chamando aten\u00e7\u00e3o em diversos registros internacionais. Quais fatores t\u00eam contribu\u00eddo para esse cen\u00e1rio e quais medidas preventivas merecem maior aten\u00e7\u00e3o?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa: <\/strong>Entre os fatores que contribuem para o aumento dos casos de infarto entre jovens est\u00e3o o tabagismo, incluindo o aumento do uso de cigarros eletr\u00f4nicos, e o uso de coca\u00edna e cannabis. Outro fator emergente e frequentemente subnotificado \u00e9 o uso de esteroides androg\u00eanicos anabolizantes, por vezes na forma de implantes hormonais, associado a um risco cerca de tr\u00eas vezes maior de infarto nesses indiv\u00edduos.\n<br><br>\nA obesidade tamb\u00e9m \u00e9 um fator de risco relevante e crescente nessa faixa et\u00e1ria, contribuindo para o aumento da incid\u00eancia de diabetes de in\u00edcio precoce e dislipidemia.\n<br><br>\nNos pacientes jovens, a janela de preven\u00e7\u00e3o ao longo da vida \u00e9 ampla, e cada fator de risco controlado precocemente tem efeito cumulativo. A maior parte dos pacientes jovens com infarto apresenta fatores de risco modific\u00e1veis, sendo o tabagismo observado em at\u00e9 metade deles. As prioridades, portanto, operam em dois planos: no coletivo, pol\u00edticas p\u00fablicas antitabagismo e est\u00edmulo \u00e0 atividade f\u00edsica e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada; no individual, apoio estruturado \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o do tabagismo e tratamento ativo da obesidade, envolvendo mudan\u00e7as no estilo de vida, mas tamb\u00e9m farmacoterapia quando indicada, com foco na preven\u00e7\u00e3o de eventos cardiovasculares.\n<br><br>\nEm paralelo, devem ser realizados o rastreamento e o tratamento precoce da dislipidemia, incluindo investiga\u00e7\u00e3o ativa de hipercolesterolemia familiar e dosagem de Lp(a) pelo menos uma vez na vida, utilizando esse marcador como estratificador de risco. O controle dos fatores de risco deve ser intensivo e priorit\u00e1rio em pacientes jovens com alto risco cardiovascular.\n<br><br>\n<strong>Medscape: <\/strong>As diretrizes recentes refor\u00e7am a import\u00e2ncia do tratamento individualizado. Na pr\u00e1tica, como personalizar a terapia antitromb\u00f3tica considerando o risco tromb\u00f3tico e o risco de sangramento?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa: <\/strong>A avalia\u00e7\u00e3o individualizada dos riscos tromb\u00f3ticos e hemorr\u00e1gicos \u00e9 fundamental para a personaliza\u00e7\u00e3o do tratamento e deve se basear, preferencialmente, em crit\u00e9rios objetivos, em vez de se apoiar apenas na impress\u00e3o cl\u00ednica.\n<br><br>\nA estrat\u00e9gia padr\u00e3o inicial \u00e9 a dupla antiagrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria (DAPT) com aspirina e um inibidor potente de P2Y12 (preferencialmente ticagrelor ou prasugrel) por doze meses nos pacientes sem alto risco de sangramento. No entanto, pode-se considerar o encurtamento da DAPT durante o primeiro ano em pacientes com alto risco de sangramento. Os crit\u00e9rios ARC-HBR representam uma alternativa pragm\u00e1tica para essa avalia\u00e7\u00e3o e foram desenvolvidos a partir de ensaios cl\u00ednicos recentes envolvendo pacientes com alto risco de sangramento, popula\u00e7\u00e3o historicamente exclu\u00edda dos estudos sobre dura\u00e7\u00e3o e intensidade da DAPT.\n<br><br>\nPacientes com um crit\u00e9rio maior ou dois crit\u00e9rios menores s\u00e3o considerados de alto risco de sangramento e, para eles, a melhor op\u00e7\u00e3o \u00e9 o uso de DAPT por um m\u00eas, seguido de monoterapia. A escolha da medica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deve considerar a pondera\u00e7\u00e3o entre os riscos isqu\u00eamico e hemorr\u00e1gico. Em pacientes com risco de sangramento muito elevado, pode-se considerar o uso isolado de AAS ou clopidogrel. Por outro lado, quando o risco isqu\u00eamico tamb\u00e9m \u00e9 elevado, ticagrelor ou prasugrel podem ser boas op\u00e7\u00f5es.\n<br><br>\nAl\u00e9m do escore GRACE, mais utilizado na fase intra-hospitalar, a diretriz europeia de s\u00edndrome coronariana cr\u00f4nica de 2024 inclui fatores associados a maior risco isqu\u00eamico que podem ser utilizados na pondera\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, como eventos tromb\u00f3ticos recorrentes, angioplastia com stent em tronco de coron\u00e1ria esquerda ou descendente anterior proximal, art\u00e9ria derradeira, resultado sub\u00f3timo da angioplastia, stents com mais de 60 mm ou em bifurca\u00e7\u00e3o, oclus\u00e3o cr\u00f4nica tratada e presen\u00e7a de diabetes ou doen\u00e7a renal cr\u00f4nica (fator que tamb\u00e9m aumenta o risco de sangramento).\n<br><br>\nO escore PRECISE-DAPT busca incorporar ambos os riscos e pode auxiliar na tomada de decis\u00e3o quanto ao encurtamento da DAPT para menos de 12 meses, quando o escore \u00e9 \u2265 25.\n<br><br>\nVale lembrar que o risco n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tico: ele deve ser reavaliado na alta e em cada retorno, porque o componente isqu\u00eamico\/tromb\u00f3tico predomina na fase precoce, enquanto o risco hemorr\u00e1gico tende a se manter est\u00e1vel, desde que n\u00e3o ocorram outras doen\u00e7as ou intercorr\u00eancias agudas.\n<br><br>\n<strong>Medscape:<\/strong> Muito se fala sobre a integra\u00e7\u00e3o entre emerg\u00eancia, hemodin\u00e2mica e aten\u00e7\u00e3o p\u00f3s-alta. Onde ainda est\u00e3o os principais gargalos na linha de cuidado do paciente com IAM no Brasil?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa:<\/strong> H\u00e1 gargalos em cada um dos principais elos da linha de cuidado.\n<br><br>\nNa entrada, o tempo pr\u00e9-hospitalar ainda \u00e9 alto na maior parte dos munic\u00edpios, e h\u00e1 heterogeneidade no acesso a ECG e a servi\u00e7os m\u00f3veis. Al\u00e9m disso, o acesso \u00e0 hemodin\u00e2mica \u00e9 bastante desigual, com atrasos quando a transfer\u00eancia do paciente entre centros \u00e9 necess\u00e1ria. A estrat\u00e9gia farmacoinvasiva, que pode mitigar a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos centros de angioplastia, ainda \u00e9 subutilizada em diversas localidades, e o cateterismo a ser realizado posteriormente tem tempo de espera prolongado no servi\u00e7o p\u00fablico, mesmo em grandes centros como S\u00e3o Paulo.\n<br><br>\nInternamente, persiste a fragmenta\u00e7\u00e3o na passagem do paciente entre a emerg\u00eancia, a hemodin\u00e2mica, a enfermaria e o ambulat\u00f3rio, com perda de informa\u00e7\u00e3o e de continuidade, haja vista que, na maior parte dos locais, o sistema de prontu\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 integrado.\n<br><br>\nNa sala de hemodin\u00e2mica, tamb\u00e9m h\u00e1 desigualdade na incorpora\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas j\u00e1 estabelecidas, como o uso de imagem intracoron\u00e1ria para guiar procedimentos e a escolha do tipo de material utilizado.\n<br><br>\nNo p\u00f3s-alta, h\u00e1 pontos de melhoria quanto ao acesso \u00e0 dupla antiagrega\u00e7\u00e3o, bem como \u00e0 terapia antilipemiante adequada. Devido aos custos, o uso de ticagrelor\/prasugrel e de inibidores de PCSK9, ou mesmo de ezetimibe, \u00e9 prejudicado. Tamb\u00e9m h\u00e1 dificuldade para realizar painel lip\u00eddico e reavalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica em quatro a oito semanas (como recomenda a diretriz), devido \u00e0 log\u00edstica operacional do sistema p\u00fablico.\n<br><br>\nA reabilita\u00e7\u00e3o card\u00edaca, medida que reduz a mortalidade e melhora a qualidade de vida dos pacientes, est\u00e1 dispon\u00edvel em uma parcela muito pequena dos servi\u00e7os de sa\u00fade e precisa ser ampliada.\n<br><br>\n<strong>Medscape:<\/strong> Olhando para os pr\u00f3ximos anos, quais avan\u00e7os voc\u00ea acredita que ter\u00e3o maior impacto no manejo do Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio, seja em diagn\u00f3stico, intelig\u00eancia artificial, biomarcadores ou novas terapias?\n<br><br>\n<strong>Dra. Bruna Scarpa: <\/strong>Na frente diagn\u00f3stica, a intelig\u00eancia artificial aplicada ao eletrocardiograma \u00e9 promissora, especialmente para identificar oclus\u00e3o coronariana que n\u00e3o preenche os crit\u00e9rios cl\u00e1ssicos de supradesnivelamento, dentro do conceito de infarto por oclus\u00e3o, al\u00e9m de auxiliar na predi\u00e7\u00e3o de risco e na triagem, especialmente na fase pr\u00e9-hospitalar. Dispositivos vest\u00edveis e a telemedicina podem antecipar a detec\u00e7\u00e3o e encurtar o tempo at\u00e9 o atendimento.\n<br><br>\nBiomarcadores tendem a se refinar ainda mais, com o uso de pain\u00e9is multimarcadores e assinaturas de risco para vulnerabilidade da placa, visando diagn\u00f3stico e tratamento intensivo antes da ruptura da placa.\n<br><br>\nNo campo terap\u00eautico, o tratamento mais intensivo do risco lip\u00eddico vem crescendo e ter\u00e1 impacto nos desfechos cardiovasculares. A estrat\u00e9gia de terapias combinadas, incluindo o uso de inibidores de PCSK9 j\u00e1 em fase precoce, \u00e9 importante para reduzir eventos, e o surgimento de medica\u00e7\u00f5es dirigidas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da lipoprote\u00edna(a) poder\u00e1 auxiliar ainda mais na redu\u00e7\u00e3o do risco lip\u00eddico.\n<br><br>\nTamb\u00e9m h\u00e1 a expectativa de medica\u00e7\u00f5es anti-inflamat\u00f3rias espec\u00edficas que possam modular a inflama\u00e7\u00e3o na fase mais aguda e reduzir o risco de novos eventos. Por ora, medica\u00e7\u00f5es direcionadas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da interleucina-6 est\u00e3o sendo estudadas.\n<br><br>\nQuanto ao risco tromb\u00f3tico, inibidores do fator XI e do fator XIa est\u00e3o sendo testados em estudos de fase II e III e poder\u00e3o ser \u00fateis na estrat\u00e9gia de redu\u00e7\u00e3o de sangramento.\n<br><br>\nAo longo da entrevista, a Dra. Bruna Scarpa destaca que o manejo contempor\u00e2neo do Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio exige uma abordagem integrada, que combina reconhecimento precoce dos sintomas, r\u00e1pida reperfus\u00e3o, estratifica\u00e7\u00e3o precisa do risco isqu\u00eamico e hemorr\u00e1gico e individualiza\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias terap\u00eauticas. A especialista ressalta a import\u00e2ncia da incorpora\u00e7\u00e3o das atualiza\u00e7\u00f5es recentes das diretrizes de s\u00edndrome coronariana aguda, do uso adequado de biomarcadores e ferramentas progn\u00f3sticas, da aten\u00e7\u00e3o \u00e0s particularidades de popula\u00e7\u00f5es como mulheres, idosos e pacientes jovens, al\u00e9m da otimiza\u00e7\u00e3o da linha de cuidado desde o atendimento pr\u00e9-hospitalar at\u00e9 o acompanhamento p\u00f3s-alta. Segundo a cardiologista, a amplia\u00e7\u00e3o do acesso a terapias baseadas em evid\u00eancias, a integra\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os assistenciais e a incorpora\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es diagn\u00f3sticas e terap\u00eauticas ser\u00e3o fundamentais para reduzir a mortalidade, prevenir novos eventos cardiovasculares e melhorar os desfechos dos pacientes nos pr\u00f3ximos anos.\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-34f9269 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"34f9269\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<strong>Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica:\n<\/strong>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-04d6e9e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"04d6e9e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<ol>\n \t<li>Anderson JL, Morrow DA. Acute Myocardial Infarction. Campion EW, editor. New England Journal of Medicine. 2017 May 25;376(21):2053\u201364. doi:10.1056\/NEJMra1606915\n<\/li>\n<\/ol>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar Atualiza\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica sobre Diagn\u00f3sstico e Tratamento das Arritmias Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio Cardiologia \/ Artigos Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio Desafios atuais e perspectivas para o cuidado cardiovascular O Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio (IAM) permanece entre as principais causas de morbimortalidade cardiovascular no mundo e resulta da necrose do m\u00fasculo card\u00edaco decorrente de um processo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1225","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1225"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1225\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1491,"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1225\/revisions\/1491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/impulsione.medscp.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}